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Gravidez na Adolescência – Parte I

A adolescência é um período importante do desenvolvimento humano; uma fase às vezes muito conturbada e sofrida, tanto para o adolescente quanto para os seus pais e as pessoas que o rodeiam.

Em nossa investigação encontramos vários estudos sobre a gravidez na adolescência que atestam que o fenômeno sofre a influência de vários fatores, e, dentre eles, os relativos às esferas educacional, populacional, social e psicológica. Tanto a adolescência quanto a gravidez precoce envolvem um período de transformações às vezes crucial. Com a preocupação de não perdermos a visão do conjunto dos aspectos biopsicossociais em que a adolescente está inserida, a presente pesquisa investigou alguns fatores psíquicos que poderiam se constituir em determinantes na ocorrência do fenômeno. Nesse sentido, encontramos estudos que constataram a ausência de projetos de vida, configuração familiar que aponta a figura materna como dominante e o pai como figura ausente e/ou fraca, relação simbiótica com a mãe e o desejo de ascensão de “status” como fatores determinantes que poderiam levar à gravidez precoce.

Nossos estudos encontraram muitos trabalhos, incontestavelmente ricos, na linha que norteia esta pesquisa, a psicanalítica (DEUTSCH, 1977; LANGER, 1981; ROMERA, 1985, 1996; CASSORLA, 1991, 1996; OLIVEIRA, 1999; dentre outros), que enfatizam problemas familiares onde prevaleceria a existência de uma ”síndrome familiar” que predisporia a uma gravidez precoce caracterizada por um pai ausente e fraco e por uma mãe dominante e superprotetora (LANDY et al. (1993) apud AGUIRRE, 1995, p. 12). Nesse contingente, a presente pesquisa tem por objetivo fazer um estudo privilegiando a relação mãe-filha como esfera importante para a compreensão da ocorrência da gravidez precoce. A nosso ver, novas contribuições para a ampliação da compreensão de fatores inconscientes atuantes na ocorrência da gravidez na adolescência e, dentre eles, a relação mãe-filha, se justificam pelo reconhecimento de que trata de um problema social e de saúde pública. O resultado final desta pesquisa não se esgota em si mesmo e visa colaborar com novos estudos e considerações que levam uma adolescente à gravidez e, em igual relevância de propósito, contribuir para que medidas preventivas em relação a essa gravidez não planejada bem como programas de assistência à adolescente grávida, sejam desenvolvidos com mais eficácia.


Aspectos teóricos

1. Adolescência Adolescência (do latim adolescere – que literalmente quer dizer para crescer – condição de crescimento) é um conceito relativamente recente, datando do início do século XX. É o período da vida humana que sucede à infância, começa com a puberdade, e se caracteriza por uma série de mudanças corporais e psicológicas, estendendo-se aproximadamente dos 12 aos 20 anos. É uma fase evolutiva na vida do ser humano na qual se busca uma nova forma de visão de si e do mundo visando definir o caráter social, sexual, ideológico e vocacional. Neste período de transição da vida do ser humano ocorrem mudanças físicas, psicológicas e sociais, onde, segundo Takiuti (1994), o adolescente estabelece novas relações consigo mesmo, com o meio social, com a família, com outros adolescentes.

A adolescência, no enfoque psicanalítico, não diz respeito a uma faixa etária que demarcada pela mera passagem do tempo, “culminando inexorável e fatalmente na idade adulta ou na maturidade” (RAPPAPORT, 1993, p.7). Para Aberastury, a adolescência se aplica ao período da vida entre a puberdade e o desenvolvimento completo do corpo; significa a condição ou o processo de crescimento. O termo se aplica especificamente ao período da vida compreendido entre a puberdade e o desenvolvimento completo do corpo, cujos limites são fixados geralmente entre os 13 e os 23 anos, podendo-se estender até os 27 anos. Apesar de ser costumeiro incluir ambos os sexos compreendidos entre os 13 e 21 anos, “os fatos indicam que nas adolescentes esse período se estende dos 12 aos 21 anos, e nos rapazes, dos 14 aos 25 anos, em termos gerais”(ABERASTURY, 1981, p.89). Reis (1993) comenta os termos pubescência (alusão ao despontar dos pelos pubianos), puberdade (do latim pubertas, ou seja, idade fértil) e adolescência, com a ressalva de que, fenomenologicamente, as três instâncias encontram-se tão intimamente relacionadas que, muitas vezes, pode não fazer sentido tentar estabelecer distinções entre elas. O autor salienta que os dois primeiros termos são parâmetros biológicos enquanto que o terceiro diz respeito a transformações que se operam na área psicossocial.

A puberdade pode ser considerada o ponto de partida da adolescência; no entanto, “apareceria mais como condição necessária que suficiente no processo da adolescência tendo em vista uma natureza fundamentalmente psico e antropológica” (REIS, 1993 apud AGUIRRE, 1996, p.21) Podemos dizer que adolescência é sinônimo de crise, pois o adolescente em busca da identidade adulta passa por um período "turbulento", variável segundo o seu ecossistema sócio-familiar, onde comportamentos considerados como anormais ou patológicos em outras fases do desenvolvimento devem ser considerados normais nessa transição para a vida adulta (KNOBEL, 1999). Tanto a gravidez quanto a adolescência podem ser consideradas etapas normais do desenvolvimento. As transições existenciais decorrentes destas fases são consideradas por Erikson (1976) e Simon (1989) como situações de crise no sentido de implicarem um equilíbrio instável, em necessidade de reacomodação e que podem levar a soluções mais saudáveis ou mais doentias, segundo características de personalidade, história pessoal e condições ambientais que caracterizam a pessoa envolvida (AGUIRRE, 1995).


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